26 de nov de 2009

SOMOS SERES PERFEITOS?

Amar, sem dúvida nenhuma, é uma arte das mais difíceis, porém das mais nobres, se não a mais nobre. Amar é um esvaziar-se das pequenas vaidades, um enxergar a grandiosidade do outro dentro de nós. È um se desprender de coisinhas miúdas, olhando em direção de algo muito mais valioso e especial. Sinto que só consegue AMAR quem consegue lidar bem com seus próprios fantasmas e enxergar o companheiro como alguém que vem agregar coisas bacanas, e não alguém que vem dinamitar as suas qualidades. Dentro do conceito do amor existem as coisas invisíveis que, em minha modesta opinião, são ainda mais importantes do que aquelas coisas aparentes demais. Entrega, respeito, companheirismo, sinceridade, solidariedade, amizade, dedicação, tolerância, objetivos traçados e uma dose cavalar de bom humor.

Sem entrega, acredito que fica inviável levar uma relação a frente porque precisamos ter em mente que ela não se constitui sozinha, precisa de 2 pessoas comprometidas com o mesmo propósito que é de estar juntas (e de preferência felizes, né? rs). O respeito é vital se busco efetivamente ter um relacionamento saudável e estável. Nada mais desagradável e desgastante que falta de diálogo, palavrões, sessões diárias de humilhações e desonestidades. Quem não é honesto consigo mesmo não consegue ser honesto com ninguém. O companheirismo é o saber compartilhar as coisas boas e ruins que advêm da relação. È o saber se deslocar da cômoda posição de “EU+EUxEU = EU” e passar a conjugar “NÓS”. Talvez seja uma das etapas mais difíceis de um envolvimento afetivo, pois nos deparamos com uma realidade que antes desconhecíamos: somos seres egoístas. Talvez seja reflexo da nossa criação familiar, ainda crianças “assimilamos” que o mundo é extremamente competitivo e individualista. Mesmo sem perceber, incorporamos ao nosso repertório afetivo e aprendemos a dizer “minha bola, minha boneca, meu videogame, minha escola, meu quarto” e deixamos de aprender que vivemos numa sociedade e é importante saber compartilhar as coisas materiais e imateriais. A sinceridade, em minha maneira de analisar as coisas, é uma das maiores virtudes, se não for a maior, quem não consegue dizer a verdade, ter clareza do que busca em um relacionamento, dificilmente saberá lidar no dia-a-dia com as dificuldades que vão surgindo. A solidariedade, para mim, é termos um olhar generoso sobre o objeto de desejo, é um saber decifrar as angústias, saber lê-lo, é um eterno ajudar, construir, saber semear para poder colher bons frutos. Só consegue ser solidário quem é generoso. Amizade é ser cúmplice, é saber dividir os momentos, é ter disponibilidade de ouvir e de ser ouvido. Não julgar e condenar, mas tentar entender as reais necessidades do companheiro. Dedicação é fazer que a relação dê certo ao doar seus 50%, é acreditar que é possível, é apostar no amor e lutar por ele. A tolerância é superimportante se alguém quer pra valer que a relação prospere, é preciso entender as limitações da pessoa e compreender que, se para você muitas coisas são difíceis, para o seu companheiro também é.

Muitas vezes, por falta de dedicação, acabamos não sabendo desenvolver a tolerância porque buscamos no outro o “modelo da perfeição”, mas ao longo do convívio descobrimos que a pessoa é imperfeita e precisamos aprender a lidar com a destruição do conceito da perfeição e, ainda assim, conseguir amar seu par pelo que ele é, e não por aquilo que projetamos. Desenvolver a tolerância é aprender a desenvolver a maturidade e o amor. As pessoas muitas vezes se frustram pois criam figuras imaginárias, criam figuras quase míticas, quase super-heróis. Nós somos quase perfeitos, mas não o somos de verdade e temos a difícil tarefa de aprender a administrar as frustrações e encontrar contentamento nas imperfeições do outro. Ter objetivos traçados é saber onde estou e para onde quero ir. Qual o meu foco? Aonde eu quero chegar? Se entrássemos na relação já sabendo quais são os nossos objetivos, nos pouparíamos de muitas noites insones e sofrimento. O bom humor é imprescindível porque, se não conseguimos trazer leveza a este contato tão íntimo, torna-se um fardo o que deveria ser agradável. A energia que deve circular é de alegria e otimismo. A vontade de querer evoluir, querer melhorar, pois tenho alguém especial ao meu lado que pode me ensinar (e muito) a ser uma pessoa mais bacana. O amor tem a capacidade de nos humanizar. Tem o poder de transformar a dor em contentamento. O enfadonho, em divertimento. Aprender a vivenciar a experiência do amor é aprender a lidar com nossos pontos fortes e fracos.

Muitos casamentos, namoros e afins se desfazem, quantas vezes as pessoas buscam no parceiro a metade, o complemento, mas na verdade deveríamos olhar o companheiro como um ser que vem para nos agregar coisas importantes, mas nunca para complementar ou completar. A partir do momento que buscamos a metade, estamos de forma inconsciente dizendo para nós mesmos que somos seres incompletos. Li uma frase do brilhante psicanalista Flávio Gikovate e nunca mais me esqueci: “Só é feliz com o outro, quem é feliz consigo mesmo”. A vida tem me ensinado que só e possível me relacionar com as pessoas quando consigo me desprender de mim e olhá-las com olhos generosos. Tirar meus olhos e depositá-los no outro. Enxergar as coisas de fora, conseguir criar o distanciamento necessário para trabalhar a existência de alguém estranho a mim como alguém próximo à realidade que escolhi abraçar. È possível ser feliz, ainda que pareça difícil, mas isso vai exigir de você desprendimento e muita, muita boa vontade. Sem dúvida alguma a maior jornada de sua vida é vivenciar o amor em sua plenitude. Tenho muitas dúvidas sobre muitos assuntos, mas uma grande certeza: vale muito a pena amar e ser amado.

“Somos a soma de todas as alegrias e tristezas misturadas dentro de um liquidificador
mágico, chamado VIDA." (Edilson Cravo)

5 comentários:

  1. Viu como ficou melhor esse fundo azul-acizentado? Fala a verdade: tenho ou não tenho um senso estético apurado?
    hahahaha
    A modéstia tampouco me permite falar da ilustração...
    =)

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  2. Querido:
    Você é o "crème de la crème" lindu di vivê...rss....bjão.

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  3. POutzzz Eddd:P!

    Que post fodástico!!!

    É difícil dizer qual foi o mais mais...mas...esse aqui até então é o Top!!!

    Um forte Abraço...e quando vamos bater aquele papo novamente!?


    Até e´ ´

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  4. Fala queridão:

    Blz? Putz fico super contente com tua visita ao blog. Quer legal que vc curtiu. Aquele papo tava animado né? Precisamos marcar algo mais pra frente. Òtima semana.

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  5. Amigo,
    perfeita compreensão do amor e da vida, é claro que cabe tantas outras coisas aí, mas é isso. Dando uma anda nos arquivos passados do blog do Jay e Alê algum tempo atrás eu tb encontrei um post do Alê muito lindo sobre o amor e ele dizia coisas que acabei por me recordar agora ao ler seu post. Uma das coisas que ele disse é exatamente essa de que não devemos procurar no outro uma metade pra nós. A gente já nasce completo. Isso é lindo, não é?
    E você conseguiu sintetizar de forma genial a complexidade e a beleza, o encanto e as decepçoes que se pode ter num relacionamento amoroso. Mas mais brilhante é a forma como podemos encarar a vida no dia a dia, essa compreensão do amor a torna mais agradável. Obrigado por me proporcinar essa leitura.
    Um abraço.

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