5 de fev de 2014

LIQUEFAZENDO




Ana e Arthur passeavam por uma grande avenida a beira mar em um fim de tarde de sexta-feira. A orla carioca estava cheia de transeuntes e eles eram apenas mais 2 indivíduos em meio aquele mar de gente fazendo suas caminhadas, corridas e afins. Ana vestia sua legging rosa, sua camiseta velhinha da Nike que ela não abria mão. Arthur usava uma bermuda verde de tactel, seu tênis de corrida e uma camiseta regata preta. Ao passar apressado por Ana na ciclovia esbarrou na moça que falava de maneira distraída ao celular. Pediu desculpas a ela e a mesma lhe abriu um sorriso que lhe faltou o ar por alguns segundos. Ele pensou consigo mesmo: ‘puxa mais que mulher mais linda mesmo toda suada e com o cabelo bagunçado. Ana em contrapartida pensou consigo mesma: “muito charmoso este grisalho”. Ana nunca tivera preconceito com a diferença de idade entre ela e seus antigos namorados. Com 18, namorou um de 35, com 22 namorou um de 38, com 25 namorou um de 47, definitivamente Ana se sentia atraída física e intelectualmente por homens mais velhos. Ela sentia que ao lado destes homens podia se sentir mais mulher, mais valorizada e mais inteira. Arthur sempre se interessava por mulheres despojadas, bonitas mas não excessivamente arrumadas e gostava daquelas moças que aparentavam uma sutil delicadeza e que o seduziam pelo charme e pelo bom papo mas nunca pelos atributos físicos.

Daquele encontro para um próximo foi um pulo.  No sábado seguinte Arthur apareceu no prédio de Ana para o seu primeiro encontro com ela, a levou a um restaurante vegetariano e de lá seguiram para um cinema queriam ver o mais recente filme de Cavinsky...”O amor rarefeito”. Um filme cheio de boas críticas da imprensa especializada, nele Nigel apaixona-se por Helga uma polonesa em meio a uma guerra que assola o país em plena 2 guerra. Ana saiu visivelmente contrariada do cinema depois de ver a protagonista morrer nos braços de seu amor. Ela era uma espiã do governo polonês e tinha como missão matar a mãe de Nigel, uma importante informante do serviço secreto alemão. O que mais chamou atenção de Arthur é que Nigel tinha apenas 18 anos quando se apaixonou por Helga na época com 35 anos.

Os dois saíram calados do cinema talvez ainda em função do impacto daquela trágica história de amor frustrado até que Ana dispara: “Uma das funções do amor é a frustração?” e mesmo tendo sido pego de surpresa pela inesperada pergunta de Ana, Arthur lhe responde: “ O amor talvez seja a melhor maneira de Deus nos mostrar que apesar das frustrações ele ainda consegue nos redimir de nós mesmos”.

Os 2 permaneceram calados durante o trajeto até o carro dele . Dentro do carro não agüentando de tanto desejo Ana se entregou a Arthur ali mesmo e ao chegar ao apartamento dele fizeram um sexo furioso e incansável durante toda a noite, os corpos se entrelaçaram em uma dança de braços, pernas e genitálias, o gozo, o êxtase se misturaram ao suor daqueles corpos exaustos de tanto prazer e no dia seguinte quando Arthur acordou percebeu que se encontrava sozinho, no lugar de Ana apenas uma grande poça de suor ocupava o espaço que antes fora dela na cama e do lado do criado-mudo um bilhete: “Foi ótimo me sentir viva de novo, sentirei saudades, Ana”.

Obs: Imagem retirada do Google.

Um comentário:

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